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10 perguntas antes de contratar uma empresa de software
Inclusive pra gente. E como é uma boa resposta para cada uma.
Contratar uma empresa de software é entregar uma parte do seu negócio para alguém cuidar por anos. E quase todo problema dessa relação aparece meses depois da assinatura, quando já é caro voltar atrás.
A boa notícia: dá para perceber a maioria desses problemas antes. A apresentação comercial costuma ser parecida entre fornecedores. O que separa um do outro é como cada um responde a perguntas sobre o dia a dia do trabalho. Separamos as dez que mais dizem, em quatro temas.
O que é seu
Parece óbvio, mas não é: em muitos projetos, o código fica no repositório do fornecedor, os servidores na conta dele e as senhas na cabeça de uma pessoa da equipe. Enquanto a relação vai bem, ninguém percebe. Quando ela acaba, você descobre que não tem um sistema. Tem uma dependência.
O certo é o contrário. O repositório, a conta na nuvem e o domínio ficam em nome da sua empresa desde o primeiro dia, com o fornecedor como convidado. O contrato diz de quem é a propriedade do código. E existe um combinado claro de como você leva tudo se a parceria terminar, porque um bom fornecedor não tem medo de facilitar a própria saída.
Pergunte
- O código vai ficar em um repositório no nome de quem?
- Onde ficam os dados, quem tem acesso e como são os backups?
- Se a gente se separar, como eu levo código, dados e acessos?
Sinal de alerta: "Isso a gente vê depois" ou "fica tudo com a gente, para facilitar".
Como o trabalho acontece
Projeto de software raramente atrasa de uma vez. Atrasa um pouco por semana, em silêncio, até a data em que alguém precisa admitir. O antídoto é ver o sistema funcionando cedo e com frequência: uma entrega pequena a cada uma ou duas semanas, num ambiente em que você consiga clicar e testar.
Também vale saber quem vai trabalhar no projeto. Não o organograma da proposta, mas as pessoas: quem escreve o código, quem decide a arquitetura, quem responde quando algo dá errado. E se o conhecimento está documentado de um jeito que outro time conseguiria assumir, ou se está todo na memória de uma pessoa só.
Pergunte
- Quem vai trabalhar no projeto, de verdade?
- De quanto em quanto tempo eu vejo algo funcionando?
- Outro time conseguiria assumir o sistema amanhã?
Sinal de alerta: a primeira entrega só no fim do projeto, ou "a documentação é o próprio código".
Qualidade e operação
Sistema bom não é o que nunca falha. É o que falha pouco, avisa rápido e volta ao normal em minutos. Três práticas sustentam isso, e todas podem ser verificadas antes de contratar.
Testes automatizados que rodam sozinhos a cada mudança, para que uma correção não quebre outra coisa sem ninguém ver. Deploy automatizado e reversível, para que publicar uma versão nova, ou desfazer uma que deu errado, seja rotina de minutos, e não um evento de sexta à noite. E monitoramento com alguém de plantão, para que um erro às três da manhã seja visto às três e cinco, e não às nove, pelo seu cliente.
Pergunte
- Tem teste automatizado? Ele roda a cada mudança?
- Como uma versão nova vai pro ar, e quanto tempo leva para voltar atrás?
- Se der problema às três da manhã, quem é avisado, e em quanto tempo alguém age?
Sinal de alerta: "a gente testa tudo manualmente antes de subir" ou "a gente olha de manhã".
Quanto custa de verdade
O preço da proposta é o custo de construir. Mas o sistema vai rodar por anos, e esse custo continua: servidores, banco de dados, licenças, monitoramento, suporte e as pequenas evoluções que todo sistema vivo precisa. Muitas vezes, em poucos anos, manter custa mais do que construiu.
Peça esse número antes, mês a mês, por escrito. Um fornecedor que pensa na operação desde o começo consegue estimar, e costuma desenhar o sistema para que esse custo seja baixo e previsível.
Pergunte
- Quanto vai custar manter o sistema por mês, depois de pronto?
Sinal de alerta: não ter esse número, ou ele aparecer só depois da entrega.
Como usar esta lista
Mande as perguntas por e-mail antes da reunião e peça as respostas por escrito. Fica mais fácil comparar fornecedores lado a lado, e a resposta escrita vira compromisso. Nenhuma dessas perguntas é difícil para quem trabalha bem. Se alguma voltar vaga, é ali que mora o risco.
A lista para copiar
- O código vai ficar em um repositório no nome de quem?
- Quem vai trabalhar no projeto, de verdade?
- De quanto em quanto tempo eu vejo algo funcionando?
- Tem teste automatizado rodando a cada mudança?
- Como vai pro ar, e dá pra voltar atrás em minutos?
- Onde ficam os dados, e quem tem acesso?
- E se der problema às três da manhã?
- Quanto custa manter depois de pronto, mês a mês?
- Outro time conseguiria assumir o sistema?
- Se a gente se separar, como eu levo tudo?
Pode começar perguntando pra gente: as nossas respostas estão aqui, por escrito.
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